sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Sobre Investimentos e Política

RENAN VERSUS INVESTMENT GRADE (Grau de Investimento)


Qual a relação entre o julgamento do presidente do senado Renan Calheiros e o tão esperado Investment Grade? (Investment Grade é a nota dada a cada país pelas agências de classificação de risco de acordo com relações de dívida, PIB, fatores econômicos e macroeconômicos, etc.)

A princípio pode parecer que um julgamento político não influência as decisões das agências de classificação de risco ao dar ao Brasil esta nota, mas sim, influência e muito.

Durante a crise financeira resultante do mercado sub-prime de hipotecas americano, as agências de classificação de risco foram duramente criticadas por não terem avaliado corretamente, ou pelo menos com mais critérios, os “Commercial Papers” lastreados nestas hipotecas. Com isso, um novo momento se iniciou nos mercados financeiros de todo mundo, fazendo com que tenhamos uma rigidez maior ao se analisar qualquer tipo investimento. Mas e o Renan?

Analisemos da seguinte forma, sem ser repetitivo sobe a atual situação econômica do país, o Brasil já poderia ter sido classificado como “grau de investimento”. A situação política brasileira apresentava um cenário favorável graças ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso dos quarenta acusados do mensalão. O andamento do processo mostrou a nós brasileiros e aos investidores de olho no Brasil, que a impunidade poderia ter seus dias contados e com isto, o risco “político” Brasil poderias receber um “grau de investimento” de todos nós brasileiros e dos investidores. Mas então, chega o caso RENAN...

Todas as provas contra Renan ignoradas, sua decisão de não renunciar à presidência do senado e a mobilização da base aliada para que a impunidade brasileira continue, fez com que regredíssemos aos tempos antes das denúncias do mensalão, abalando nossas esperanças adquiridas no processo do STF e tornando o risco “político” Brasil ainda maior do que era antes.

As agências de classificação de risco não se atreverão a errar novamente, e dificilmente indicarão aos investidores que coloquem seus recursos em um país que dá um passo a frente e dois atrás. Logo, se há um ano atrás nos parecia que em dois anos teríamos o grau de investimento, agora só em 2009.

Henrique Novaes

Um comentário:

Rafael Lima B. Caputo disse...

Parabéns pela iniciativa, pessoal!
"Favoritei" e recomendarei vocês!
Forte abraço!